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    Síndrome do Impacto (Colisão) do Ombro

    Síndrome do Impacto (Colisão) do Ombro

    O manguito rotador consiste de quatro músculos: o subescapular, o supra-espinhal, o infra-espinhal e o redondo menor. Todos eles se originam na escápula e inserem-se nas tuberosidades da cabeça do úmero. Esses músculos terminam em tendões largos e achatados e formam o manguito musculotendíneo (Manguito Rotador). O manguito rotador possui três funções essenciais: estabilidade, mobilidade e nutrição da articulação glenoumeral (Ombro). Embora não participe do manguito rotador, o bíceps se localiza entre os músculos subescapular e supra-espinhal, dentro da goteira bicipital. Entre duas estruturas ósseas, a grande tuberosidade do úmero e a porção ântero-inferior do acrômio situam-se as três estruturas que são comprimidas ou “impactadas”: (1) o manguito rotador (especialmente o supra-espinhal), (2) a cabeça longa do bíceps e (3) a bursa subacromial; esta compressão causa a chamada Síndrome do Impacto ou Colisão do Ombro.

    A posição em que o ombro realiza a maioria das atividades é em flexão ou em elevação, isso determina o fenômeno de impacto (impingement).

    Até os anos 70 a 80, considerava-se que a dor e a impotência funcional do ombro fossem devidas a “bursite, reumatismo, mau jeito”, e que o tratamento, sem qualquer tentativa diagnóstica inicial, não passaria de tríade clássica: medicação + infiltração + fisioterapia. Sabe-se hoje que a dor no ombro é a segunda maior em incidência no consultório ortopédico, vindo após a dor lombar.

    A teoria da compressão (do manguito rotador, da bursa subacromial e da cabeça longa do bíceps) defendida por Neer observa que o manguito rotador é comprimido pelo arco coracoacromial (acrômio e seus componentes), e que essa seria a principal causa da degeneração. A  teoria de Neer foi defendida por Bigliani e Morrison (1986), quando classificaram a curvatura do acrômio em três tipos: tipo I (plano), tipo II (curvo) e tipo III (ganchoso).

    Neer (1972) descreveu as três fases evolutivas da síndrome compressiva do manguito:

    Fase I: Edema e hemorragia reversíveis.

    Fase II: Fibrose e tendinite do manguito rotador.

    Fase III: Ruptura completa do manguito com alterações ósseas típicas ao raio X simples (esclerose óssea, cistos subcondrais, osteófitos na porção anterior e na articulação acromioclavicular e contato da cabeça do úmero com o acrômio, nos casos de ruptura maciça do manguito).

    O quadro clínico se caracteriza por dor com piora à noite e crepitação subacromial, força muscular geralmente diminuída no lado envolvido. Ocorre geralmente em pacientes acima de 30 a 40 anos.

    O diagnóstico é sempre clínico, mas a confirmação por imagem pode ser obtida por meio de ecografia ou ressonância nuclear magnética. A radiografia com as várias incidências auxilia na indicação do tratamento a ser conduzido.

    O tratamento pode ser medicamentoso, associado a fisioterapia ou não.  A indicação cirúrgica é formal quando não se obtêm o alívio do quadro inicial e tem como objetivo a acromioplastia (descomprimir o espaço subacromial).

     

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