• 10 MAR 18
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    Síndrome do Impacto do Quadril

    Síndrome do Impacto do Quadril

    Impacto FemoroAcetabular (IFA), ou Impacto do Quadril (lesão conhecida por ter aposentado o tenista Gustavo Kuerten), é, basicamente, o contato anormal entre o fêmur e o acetábulo, que ocorre durante os movimentos do quadril. Em quadris normais, durante movimentos do dia a dia ou exercícios comuns, não existe contato “agressivo” entre o fêmur e o acetábulo. Mas diante de um quadro de Impacto, é observado o contato entre as estruturas que compõe o quadril (colo do fêmur e o osso acetábulo) e consequentemente o comprometimento de toda a biomecânica dessa articulação.

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    Esse impacto passa a acontecer durante os movimentos do dia a dia e o dano se exacerba ainda mais em caso da prática de atividades físicas que envolvam grandes amplitudes de movimento do quadril; como ballet, artes marciais, e outros. Com o passar do tempo e a execução repetitiva dos movimentos, esse impacto anormal pode resultar em excessivo atrito e consequentemente lesões das estruturas moles interpostas na articulação, como lábrum e cartilagem. Essa condição é considerada um possível fator de risco para o desenvolvimento de um desgaste precoce do quadril, a Artrose do Quadril.

    Os pacientes apresentam queixa de dor na região da virilha, na parte anterior da coxa ou na raiz da coxa (póstero-lateral do quadril), desencadeada por atividades esportivas. Nas fases iniciais, a dor ocorre após ou ao fim da atividade, mas com a evolução ocorre durante as atividades, podendo em muitos casos limitar ou impedir a realização dos exercícios. Também é comum a queixa de dor em movimentos de rotação do quadril (como movimentos de entrar e sair do carro e períodos prolongados na posição sentada em locais baixos), agachar, calçar sapatos, andar de bicicleta ou moto, correr ou outras atividades com impacto axial, como salto – jump. Podem ocorrer ainda estalos e restrição da mobilidade do quadril.

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    Movimento normal do Quadril

    Acomete mais comumente homens jovens, praticantes de atividades físicas, na faixa etária média dos 20-40 anos. As mulheres, geralmente são acometidas um pouco mais tarde, a partir da 4ª década de vida. Existem dois tipos básicos de IFA: O pincer, quando há alteração no acetábulo; e o cam, quando há alteração no contorno normal da cabeça femoral. A maioria dos pacientes, entretanto, apresenta associação dos dois tipos.

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    O impacto do tipo PINCER representa a deformidade óssea no acetábulo e é caracterizado pela presença de uma proeminência óssea localizada na porção anterior e superior da borda do acetábulo. Essa deformidade é mais comum em mulheres e provoca um aumento da cobertura da cabeça do fêmur por parte do acetábulo, podendo causar limitação dos movimentos do quadril, mais especificamente dos movimentos associados: flexão, adução e rotação interna da coxa.

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    O impacto do tipo CAM é caracterizado pela presença de um contorno ósseo mais abaulado, com aumento de volume ósseo semelhante a uma “lombada”, na região de transição entre a cabeça e o colo do fêmur. Esse tipo é mais comum em homens, e durante os movimentos de flexão e rotação interna da coxa, essa “lombada óssea” promove o contato no interior da borda do acetábulo, podendo lesionar a junção entre o lábrum e a cartilagem acetabular.

    O tipo MISTO é a forma combinada e mais comum (mais de 80% dos casos) de apresentação, com a presença tanto do CAM quanto do PINCER no mesmo quadril.

    Diante de um quadro de síndrome do impacto do quadril, o diagnóstico clínico é feito com base em uma série de testes no exame físico do paciente, na tentativa de reproduzir os sintomas do paciente. Porém, o diagnóstico de IFA deve ser determinado através de exames de imagem que detectem as alterações ósseas presentes no colo do fêmur e acetábulo e também as possíveis lesões de lábrum. Os exames de imagem como Raio-X em diferentes posições para se observar anormalidades e também possíveis sinais de desgaste (artrose); Tomografia Computadorizada (TC) para observação mais detalhada das estruturas ósseas e a Ressonância Nuclear Magnética (RNM) para análise de lesão de tecidos moles (lábrum, tendões e músculos) podem ser empregados para um diagnóstico mais preciso.

    O tratamento conservador é indicado em casos de deformidades leve, com lesões mínimas de lábrum e cartilagem, e em estágios iniciais da dor e limitação funcional. Normalmente é indicado o uso de medicamentos para alívio da dor e anti-inflamatórios, além de mudanças de hábitos de vida e orientação na prática de esportes que provocam sobrecarga e impacto direto nas estruturas do quadril. A fisioterapia é indicada e tende a demonstrar excelente resposta quando não há lesões graves em estruturas dentro da articulação como o lábrum e a cartilagem. Nesses casos, as dores no quadril são normalmente provenientes de estruturas como músculos e tendões, que respondem muito bem a abordagem realizada.

    Nos casos em que não há resolução da dor e da limitação funcional após o tratamento conservador, indica-se a cirurgia para abordagem da lesão anatômica do lábrum e/ou cartilagem e para correção da deformidade óssea que ocasionou o impacto. Atualmente, tem-se optado pela cirurgia minimamente invasiva, a chamada cirurgia artroscópica, que tem sido a mais indicada para os casos de IFA. Por meio dela, o acesso ao interior da articulação do quadril é feito através de pequenas incisões de cerca de um centímetro cada (portais) e a cirurgia é feita com pequenas cânulas e uma microcâmara de vídeo para guiar o cirurgião. Na artroscopia do quadril, o médico pode reparar ou suavizar as lesões da cartilagem e do lábrum, além disso, corrige as deformidades ósseas do IFA, aparando a borda óssea do acetábulo e o excesso do osso em forma de “lombada” na cabeça do fêmur, para que essa volte a ter o formato próximo ao normal.

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    Após o procedimento cirúrgico, é necessário que o paciente utilize muletas por 4 a 8 semanas para poupar a carga sobre o membro inferior operado, esse tempo vai depender dos procedimentos feitos e estruturas reparadas na cirurgia. Nesse período, o acompanhamento da fisioterapia é fundamental, do contrário, a cirurgia pode não ter os resultados esperados. E este resultado depende, além do procedimento realizado e da fisioterapia feita, basicamente de três fatores: a idade do paciente (quanto mais jovem melhores os resultados), o tempo de sintomas (os resultados são melhores em pacientes operados com menos de 2 anos de sintomas) e o grau de comprometimento da articulação (pacientes com lesões mais extensas, especialmente da cartilagem, tendem a ter piores resultados).

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